A União de Engenheiros da ANDE (Administração Nacional de Eletricidade) propôs um novo esquema tarifário que inclui um limite de 700 MW para setores como criptomineração e data centers, além da criação de uma tarifa separada para indústrias com maior encadeamento produtivo, como o projeto de hidrogênio verde da Atome.
Para as chamadas "indústrias convergentes", que abrangem data centers, inteligência artificial e criptomineração, a proposta estabelece um teto de consumo equivalente a cerca de 10% da capacidade instalada do país. A alocação seria feita por meio de leilão com preço mínimo de US$ 56 por MWh, valor que soma a tarifa técnica atual de US$ 44 a uma compensação de US$ 12 pela energia que deixaria de ser exportada para o Brasil.
Já para indústrias com processos produtivos reais e maior impacto econômico, a proposta prevê a criação de um quadro tarifário próprio, baseado em uma "tarifa técnica" desvinculada do componente social que rege as tarifas residenciais. De acordo com Ubaldo Fernández, ex-gerente técnico da ANDE, esse valor seria de aproximadamente US$ 44 por MWh atualmente.
Os engenheiros justificam o limite de 700 MW com argumentos de segurança operacional e econômica. Fernández alertou que uma carga de 2.000 MW em um sistema de cerca de 5.000 MW seria "disruptiva" e arriscada para a confiabilidade do fornecimento. Manuel Mettel, presidente da união, destacou que o crescimento da demanda energética desses setores não se traduziu em um salto equivalente no PIB paraguaio nem melhorou claramente a situação financeira da ANDE.
A proposta prevê que o novo esquema entre em vigor em 1º de janeiro de 2028, após o vencimento dos contratos atuais do Grupo de Consumo Intensivo Especial em dezembro de 2027. O leilão deveria ser adjudicado em meados de 2027 para dar previsibilidade, com contratos de 3 a 5 anos de duração.
A União de Engenheiros já apresentou a proposta às autoridades da ANDE, que estariam preparando sua própria versão de mudanças tarifárias. A iniciativa surge após a derrogação dos decretos que beneficiavam a Atome com uma tarifa fixa por 15 anos e em meio a pedidos de maior transparência sobre o futuro do projeto de US$ 665 milhões em Villeta.
