Especialistas alertam que ANDE precisa de reajuste e abertura para evitar colapso energético

Especialistas e empresários alertam que a ANDE precisa de reajuste tarifário urgente e abertura ao capital privado para evitar um colapso energético, com o excedente das hidrelétricas se esgotando em três a cinco anos.

Especialistas alertam que ANDE precisa de reajuste e abertura para evitar colapso energético
Ilustração gerada por IA.

Especialistas e representantes do setor energético alertam para a necessidade urgente de um reajuste tarifário da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) para cobrir os custos reais do serviço e financiar investimentos essenciais. Um estudo técnico realizado pelo Centro de Estudos da Atividade Regulatória Energética (Ceare) da Universidade de Buenos Aires, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), propõe um aumento gradual de quase 40% na tarifa média até 2030, elevando-a de USD 49,2 para USD 68,6 por megawatt-hora (MWh).

Victorio Oxilia Dávalos, especialista em energia, destacou a confiabilidade do estudo e afirmou que as tarifas devem refletir os custos econômicos reais de fornecimento, incluindo recursos para futuros investimentos. Ele ressaltou que a energia fornecida em baixa tensão, que chega aos lares, é a mais cara de distribuir e também a mais sensível politicamente devido às tarifas sociais. Oxilia também chamou a atenção para as perdas comerciais, que equivalem energeticamente a quase toda a geração da usina de Acaray durante dois anos e meio, representando cerca de USD 75 milhões anuais apenas por furtos.

O engenheiro Fabián Cáceres, ex-gerente técnico da ANDE, corroborou a análise, alertando que a estatal enfrenta sérias dificuldades financeiras, com rentabilidade negativa desde 2021, quando sua carta orgânica estabelece que deveria estar entre 8% e 10%. Ele mencionou que, em várias categorias, a ANDE vende energia abaixo do custo, sendo a tarifa para criptomoedas a única que se equilibra. Cáceres também criticou a não concretização de fundos prometidos à ANDE após o acordo tarifário com Brasil em 2024.

Paralelamente, Rubén Jacks, presidente do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL), advertiu que o excedente de energia das hidrelétricas binacionais se esgotará em três a cinco anos, e que o país já sofre com a incapacidade de atrair investimentos devido à falta de garantias na oferta energética. Jacks defendeu a abertura do mercado elétrico ao capital privado, a criação de um ente regulador independente e a sincerização das tarifas para evitar o colapso do sistema.

Durante um fórum realizado pelo Conselho Assessor Empresarial – Mesa Energética, foram apresentados os modelos bem-sucedidos do Brasil e do Uruguai, que transformaram suas matrizes energéticas mediante a participação privada. Jacks traçou um paralelo com a desmonopolização das telecomunicações no Paraguai nos anos 90, argumentando que a mesma abordagem é necessária agora para o setor elétrico.

O consumo de energia no Paraguai registrou um crescimento acumulado de 18,3% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, refletindo o dinamismo da atividade econômica. Em junho de 2026, a demanda alcançou 2.310.632 MWh, um aumento de 11,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A ANDE continua fortalecendo a infraestrutura elétrica com obras estratégicas para acompanhar esse crescimento sustentado.

Fontes (2)

Atualizado: 25 de jul. de 2026, 10:12