Os egressos de cursos universitários acreditados no Paraguai recebem salários entre 8% e 13% mais altos no emprego formal em comparação com aqueles formados em carreiras não acreditadas. A conclusão é de um estudo apresentado pela Agência Nacional de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (Aneaes), em conjunto com o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) e a União Industrial do Paraguai (UIP).
A pesquisa, intitulada "Acreditação de carreiras de graduação e trajetória salarial do emprego formal no Paraguai", analisou 245.358 títulos universitários e cruzou dados do Registro de Títulos do Ministério da Educação e Ciências (MEC), da lista de carreiras acreditadas da Aneaes e das bases de contribuições do Instituto de Previdência Social (IPS), reconstruindo 94.486 trajetórias laborais formais.
As diferenças salariais identificadas variam de 4,6% a 13,6%, dependendo da faixa etária analisada, sendo mais pronunciada entre os profissionais mais jovens, de 23 a 27 anos. O padrão se mantém tanto para homens quanto para mulheres e é observado tanto na média quanto na mediana dos rendimentos.
O presidente da Aneaes, José Duarte Penayo, explicou que o fenômeno está relacionado ao caráter recente da acreditação como padrão de mercado. "Um trabalhador que hoje tem 43 anos se formou talvez numa época em que a acreditação não estava vigente ou não estava instalada como está hoje", afirmou. A agência esclareceu que o estudo mostra uma associação estatística, não uma relação causal direta, pois outros fatores como a área de estudo e a experiência também influenciam os rendimentos.
O estudo também revela que alcançar o nível universitário reduz drasticamente a probabilidade de informalidade, caindo de 70,2% para 38,9%. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) citados no relatório indicam que pessoas com 12 ou mais anos de estudo têm apenas 30% de chance de cair na informalidade, contra 90% para aqueles com pouca ou nenhuma escolaridade.
Durante a apresentação, realizada no âmbito da campanha "Educação que Emprega", o presidente da Associação de Universidades Públicas do Paraguai (AUPP) e reitor da Universidade Nacional de Concepción, Clarito Rojas, fez uma crítica contundente. Ele afirmou que o setor público é o que mais contrata graduados de carreiras não acreditadas no país. "Em Ciências da Saúde, por exemplo, em hospitais estatais, provavelmente 4 de 10 são contratados de instituições acreditadas e 6 de instituições não acreditadas", apontou Rojas, questionando se o Estado tem interesse em aprofundar políticas que vinculem a educação ao valor da acreditação.
José Duarte Penayo admitiu que existe uma lacuna importante e que é o setor privado, o mercado, que demonstra maior consideração em contratar pessoas de carreiras com o selo de qualidade.
