Governo propõe equiparar salários de médicos no Paraguai; Sinamed avalia nova greve

O governo do Paraguai propôs equiparar, a partir de julho de 2027, os salários de médicos contratados aos dos nomeados e pagar feriados trabalhados, mas o Sinamed considera a oferta insuficiente e decidirá sobre uma nova greve em assembleia.

Governo propõe equiparar salários de médicos no Paraguai; Sinamed avalia nova greve

O governo do Paraguai apresentou uma proposta para equiparar, a partir de julho de 2027, os salários de médicos contratados aos de profissionais nomeados, além de pagar o trabalho em feriados desde 1º de janeiro do mesmo ano. O Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) considerou a oferta insuficiente e levará a decisão sobre uma nova greve nacional à assembleia marcada para esta quinta-feira, 3 de setembro, em Assunção.

A proposta foi discutida em uma reunião de quase três horas com a ministra da Saúde Pública e Bem-Estar Social, María Teresa Barán; o chefe de Gabinete da Presidência, Javier Giménez; o ministro da Economia, Óscar Lovera; e a ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Mónica Recalde. O governo afirma ter atendido três dos quatro pontos apresentados pelo sindicato.

O plano prevê o pagamento por feriados trabalhados para mais de 1.600 profissionais e a aplicação direta, aos contratados, da escala salarial usada para os médicos nomeados, sem a exigência de novo concurso para essa equiparação. Também está prevista a nomeação de 2.390 médicos que participaram do concurso de desprecarização. Pelas projeções oficiais, as medidas alcançariam cerca de 90% dos médicos da rede pública e exigiriam aproximadamente US$ 60 milhões.

O Executivo defende um modelo baseado em horas trabalhadas, quantidade de contratos, especialização e antiguidade. A ministra María Teresa Barán afirmou que o médico contratado poderá receber o mesmo que o nomeado dentro dessa escala. O chefe de Gabinete, Javier Giménez, disse que os recursos viriam de uma melhoria na qualidade do gasto público, incluindo a redução do preço de compra de medicamentos.

Rossana González, secretária-geral do Sinamed, afirmou que a proposta não contempla a principal reivindicação: um piso salarial médico atualizado. A dirigente disse que a maioria dos cerca de 9 mil contratados teria um reajuste considerado pequeno pelo sindicato e que a possibilidade de uma nova paralisação é alta, embora a decisão formal dependa da assembleia no ex-Seminário Metropolitano, às 19h30.

O conflito ocorre paralelamente a uma disputa sobre renúncias de médicos. Profissionais mencionam aproximadamente 150 a 190 pedidos, além de outros em tramitação, enquanto o Ministério da Saúde contabiliza 62 documentos apresentados formalmente até o meio-dia e questiona a validade de parte deles. A controvérsia envolve a forma de entrega das renúncias e a aplicação da Lei nº 7.445/2025, cujo artigo 56 prevê aceitação tácita após dez dias úteis sem resposta, quando o pedido é apresentado formalmente.

A crise também reacendeu o debate sobre a formação médica. José Duarte Penayo, presidente da Agência Nacional de Avaliação e Acreditação da Educação Superior (Aneaes), afirmou que cursos sujeitos à acreditação que não estejam acreditados ou em processo regular não poderão registrar seus diplomas. Ele defendeu avaliações de competência para profissionais da saúde e declarou: “Não serve construir hospitais se não temos médicos formados com qualidade”.

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Fontes (8)

Atualizado: 4 de set. de 2026, 01:00