A investigação sobre títulos universitários falsos no Paraguai atingiu funcionários públicos de alto escalão, com a Fiscalía identificando os primeiros 21 servidores estaduais sob suspeita de possuir diplomas apócrifos. A lista inclui profissionais do Instituto de Previsión Social (IPS), do Ministério da Saúde Pública e da Corte Suprema de Justicia, além de professores da rede pública.
O Ministério da Educação e Ciências (MEC) já encaminhou mais de 300 casos de documentos suspeitos ao Ministério Público para investigação criminal. Paralelamente, 283 funcionários do próprio MEC enfrentam processos administrativos internos, em um número que o ministro Luis Ramírez classificou como um "recorde".
O escândalo ganhou uma dimensão internacional com a investigação do Instituto Superior Interamericano de Ciências Sociais (ISICS). O fiscal Aldo Cantero imputou o empresário brasileiro Ismael Fenner por suposta fraude e produção de documentos não autênticos. A ação ocorreu após uma intervenção no Hotel Crowne Plaza em Assunção, onde um curso de pós-graduação para mais de 100 estudantes brasileiros foi interrompido por falta de autorização do MEC e do Conselho Nacional de Educação Superior (Cones).
Autoridades brasileiras também acompanham o caso, já que a instituição operava no Brasil como Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FICS). A Polícia Federal do Brasil já questionou uma universidade sobre o reconhecimento de títulos emitidos pelo ISICS, que carecia de registro oficial no Paraguai. Relatórios indicam que cerca de 915 diplomas de mestrado e doutorado da entidade foram registrados na Plataforma Carolina Bori, sistema brasileiro para reconhecimento de estudos no exterior, com mais de uma centena já tendo sido anulados.
