A contínua queda do dólar frente ao guarani está impactando negativamente a arrecadação vinculada ao comércio exterior no Paraguai, segundo a Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT). Com a taxa de câmbio oscilando perto de G. 6.000, as mercadorias importadas tornam-se mais baratas quando convertidas para a moeda local, reduzindo o valor sobre o qual incidem o IVA de importação e os aranceles.
O diretor nacional de Ingresos Tributarios, Óscar Orué, explicou que o efeito é “misto”: por um lado, um dólar mais baixo estimula um maior volume de operações; por outro, do ponto de vista fiscal, a receita nominal cai. “Os valores de importação convertidos a moneda local são menores e, em consequência, mesmo que o volume importado se mantenha ou aumente, os impostos vinculados ao comércio exterior tendem a registrar uma menor arrecadação”, afirmou.
Dados da DNIT mostram que, até o fechamento de abril, o valor imponível das mercadorias importadas em dólares cresceu 5,2%, mas a depreciação de 20,5% do dólar provocou uma redução de 16,2% na base imponível expressa em guarani. Esse comportamento, observado há meses, acentua-se à medida que o dólar cede ante o guarani, comprometendo as projeções do Presupuesto General de la Nación (PGN) para 2026, que foram elaboradas com uma taxa de câmbio de G. 7.800.
Orué destacou que a situação afeta principalmente a receita aduaneira, um dos setores mais sensíveis às variações cambiais. Ele indicou que, no curto prazo, o contexto continuará pressionando a arrecadação, mas que, a partir do segundo semestre, as comparações interanuais podem se estabilizar devido ao efeito base, já que desde julho de 2025 o dólar iniciou trajetória descendente. “As variações observadas na arrecadação refletirão de maneira mais precisa o desempenho real da atividade econômica e do comércio exterior, reduzindo o impacto derivado do tipo de câmbio”, afirmou.
Questionado sobre medidas para mitigar o impacto, Orué lembrou que o tipo de câmbio é um fator exógeno, fora do alcance da DNIT. Ainda assim, a instituição está reforçando mecanismos de controle, gestão de riscos e fiscalização tanto em Aduanas quanto em impostos internos, com o objetivo de compensar eventuais quedas na receita aduaneira. “Busca-se que eventuais quedas na arrecadação vinculada ao comércio exterior possam ser compensadas por um melhor desempenho nos impostos internos”, disse.
Apesar do cenário cambial, a DNIT mantém inalterada sua projeção de receitas tributárias para este ano. Orué explicou que o monitoramento permanente das fontes de arrecadação e a análise de variáveis macroeconômicas e setoriais permitem sustentar as estimativas iniciais. O fortalecimento do cumprimento voluntário e uma maior eficiência administrativa fazem parte da estratégia para manter os níveis de arrecadação em um contexto de menor dinamismo aduaneiro.