O mercado imobiliário paraguaio iniciou 2026 com sinais de dinamismo, impulsionado por um contexto macroeconômico favorável, demanda sustentada por imóveis e percepção positiva sobre investimentos em bens raízes. É o que aponta um relatório elaborado pelo InfoCasas Paraguay com base nos dados registrados em seu portal entre janeiro e abril deste ano, período em que foram contabilizadas mais de 2,4 milhões de visitas, 271.308 usuários ativos mensais e mais de 46.800 consultas por mês.
O cenário econômico acompanha essa tendência. Após o crescimento de 6,6% do produto interno bruto (PIB) em 2025, o Paraguai mantém para este ano uma projeção de expansão de 4,2%. A recente obtenção do grau de investimento por parte da Standard & Poor's fortaleceu a confiança dos investidores e melhorou as perspectivas para setores vinculados ao desenvolvimento urbano e à construção.
Um dos principais achados do relatório é que a demanda de aluguéis continua superando a de compra. Das buscas realizadas no portal, 53% estiveram voltadas ao aluguel, contra 47% correspondentes a operações de venda. Dentro do segmento locatício, os apartamentos de dois dormitórios lideram amplamente as preferências, especialmente na faixa de preço entre US$ 450 e US$ 650 mensais, refletindo a busca de famílias pequenas e casais jovens por soluções habitacionais adaptadas.
Os dados revelam uma velocidade de absorção elevada no mercado de aluguéis: um imóvel para locação permanece publicado em média apenas 27 dias antes de concretar uma operação, enquanto os imóveis à venda requerem cerca de cinco meses para encontrar um comprador.
O estudo identifica dois grandes perfis de busca. De um lado, quem procura imóvel para uso próprio, concentrado em apartamentos e casas de dois dormitórios com preços entre US$ 100.000 e US$ 150.000. De outro, ganha força o perfil investidor, focado em apartamentos de um e dois dormitórios com valores entre US$ 55.000 e US$ 95.000, voltados a imóveis com potencial de renda ou valorização futura.
A percepção positiva sobre o setor respalda essa tendência. Sete em cada dez usuários ouvidos consideram que investir em bens raízes continua sendo uma boa decisão a longo prazo, consolidando o setor como um dos refúgios de valor preferidos dos paraguaios.
Assunção segue como principal motor do mercado. Setenta por cento de toda a demanda registrada no portal se concentrou na capital, enquanto o departamento Central reuniu 25%. Alto Paraná captou apenas 3%, e o resto do país somou 2%. Esse fenômeno responde em grande medida à concentração de novos empreendimentos imobiliários em zonas estratégicas como o entorno do Shopping del Sol, Villa Morra, Recoleta, a área do Círculo Internacional de Tenis (CIT) e o corredor da avenida Molas López, onde se observa uma oferta crescente de edifícios residenciais e projetos mistos.
Entre as zonas mais procuradas para comprar imóveis se destacam Las Lomas, Luque, Ykuá Satí-Eje Santa Teresa, Villa Morra e San Bernardino. Las Lomas se posiciona como o mercado premium do país: um apartamento de dois dormitórios alcança mediana de US$ 154.000, enquanto unidades de três dormitórios ou mais chegam a US$ 280.000. No extremo oposto aparece Luque, com valores significativamente mais acessíveis: US$ 79.000 para unidades de dois dormitórios e US$ 151.000 para imóveis de três dormitórios ou mais.
Pesquisa realizada com 5.000 usuários recorrentes do portal mostra que a localização continua sendo o elemento mais importante na hora de escolher um imóvel, com 25% das menções. O preço ocupa o segundo lugar, com 22%, seguido pelo tamanho do imóvel, com 19%. Apesar do crescimento dos empreendimentos verticais, a preferência por residências unifamiliares ainda predomina: 56% dos entrevistados prefeririam viver em uma casa, contra 44% que optariam por um apartamento.
Embora o contexto econômico seja favorável, o acesso ao crédito imobiliário segue como um dos principais desafios do mercado. Trinta e oito por cento dos entrevistados classificou o acesso ao financiamento como "regular", enquanto 30% o consideram difícil ou muito difícil. Apenas 26% percebem que obter um crédito imobiliário é fácil ou muito fácil. Esses resultados sugerem que, apesar do desenvolvimento do sistema financeiro e da crescente oferta de produtos hipotecários, ainda existe uma brecha importante entre as necessidades dos potenciais compradores e as condições efetivas de acesso.
Sobre a evolução futura do mercado, predomina uma visão de estabilidade: 44% dos participantes acreditam que os preços dos imóveis se manterão sem mudanças nos próximos 12 meses. Um quarto espera aumentos, enquanto 21% projeta quedas. A expectativa de estabilidade poderia favorecer tanto compradores quanto investidores, ao oferecer um entorno mais previsível para a tomada de decisões.
