O Ministério Público do Paraguai imputou o juiz Civil e Comercial de Capitán Bado, Cristhian Ariel Sánchez Zaracho, por suposta tentativa de lavagem de ativos na modalidade de frustração do confisco. Os promotores Christian Benítez e Verónica Valdez Rivas também pediram o afastamento de sua imunidade funcional e solicitaram seis meses para concluir a investigação.
O caso envolve dois imóveis pertencentes à Biocombustible Brasilero S.A. (Biobras S.A.), localizados em Azotey e integrantes da Estancia Nelly: a Finca 262, Padrón 56, e a Finca 262, Padrón 57. As propriedades foram apreendidas e entregues à Secretaria Nacional de Administração de Bens Incautados e Comissados (Senabico), órgão responsável por administrar patrimônios apreendidos pela Justiça.
Os bens estavam vinculados ao processo penal por tráfico de drogas, lavagem de ativos e crimes relacionados contra o brasileiro Luiz Carlos da Rocha, conhecido como Cabeça Branca. Segundo a acusação, havia medidas cautelares vigentes, incluindo proibição de inovar e contratar, além de expectativa de confisco determinada pela Justiça Penal.
A Senabico teria informado essas restrições ao magistrado em agosto de 2023. Ainda assim, Sánchez Zaracho determinou a realização de um leilão público em 8 de novembro daquele ano, dentro de um processo executivo. Os dois imóveis foram adjudicados ao Grupo Paraná S.A. por G. 2 bilhões.
Documentos da Direção-Geral dos Registros Públicos, órgão ligado à Corte Suprema de Justiça, emitidos em outubro e novembro de 2023 a pedido do próprio juiz, confirmavam a vigência da proibição de inovar. Em abril de 2024, o magistrado autorizou a inscrição preventiva dos imóveis em nome da empresa vencedora, mas o registro foi recusado porque a restrição penal continuava vigente.
A Promotoria também sustenta que o juiz permitiu a participação de pessoas sem autorização da Senabico no processo e vinculou como representante da empresa Gilberto Suárez, que está processado e tem ordem de captura. Essas afirmações integram a imputação e ainda serão submetidas à análise judicial.
O pedido foi encaminhado ao Juizado Penal Especializado em Crimes Econômicos e Corrupção de Assunção. A imputação não representa uma condenação: os fatos atribuídos ao magistrado ainda precisam ser investigados e julgados.
