O Ministério Público do Paraguai apresentou acusação formal e pediu a abertura de um juízo oral contra Alexandre Rodrigues Gomes, filho do falecido ex-deputado Eulalio "Lalo" Gomes, seu ex-advogado Óscar Tuma, e as escrivãs Blanca Rossana Ozuna Leguizamón e María Luisa Verón de Jara. Os promotores José Martín Morínigo, Francisco Cabrera e Diana Gómez, da Unidade Especializada de Luta contra o Narcotráfico e Crime Organizado, sustentam que os acusados integraram um esquema para frustrar o eventual confisco de bens no âmbito do caso "Pavo Real".
De acordo com a acusação, Alexandre Rodrigues Gomes promoveu a transferência de quatro imóveis em Pedro Juan Caballero e oito veículos, mesmo ciente de uma inibição judicial que impedia a venda ou transferência desses bens, decretada pelo juiz Osmar Legal em 19 de agosto de 2024. A investigação alega que, para isso, os dados de seus imóveis foram adulterados no sistema da extinta Direção Geral dos Registros Públicos, fazendo "desaparecer" a inscrição da medida cautelar.
O advogado Óscar Tuma é acusado de lavagem de ativos por ter recebido quatro desses imóveis como pagamento de honorários profissionais, supostamente com conhecimento da proibição judicial. Em sua defesa, Tuma rejeitou os cargos, argumentando que não há uma condenação prévia que comprove a origem ilícita dos bens, condição essencial para configurar o crime de lavagem. "Eu sou advogado, não sou um sujeito obrigado e não tenho por que perguntar ao meu cliente de onde provêm os imóveis", declarou, qualificando o processo como um erro jurídico e uma perseguição política.
As escrivãs Blanca Rossana Ozuna e María Luisa Verón são acusadas de produção e uso de documentos públicos de conteúdo falso. A Ozuna é vinculada à elaboração de um poder geral concedido por Faustino Aguayo, condenado por narcotráfico, e à formalização de escrituras em nome de uma pessoa já falecida. Já Verón teria certificado que Alexandre Rodrigues Gomes compareceu pessoalmente em sua escrituração em Areguá para vender veículos, quando ele estaria preso na Penitenciária Nacional de Encarnação.
Os promotores também solicitaram o arquivamento provisório do caso contra a escrivã María Raquel Cáceres Olmedo e contra a ex-funcionária dos Registros Públicos Alcira Celeste Rodrigues Flores, esta última considerada peça-chave para a suposta adulteração dos dados no sistema. O processo agora aguarda a marcação de uma audiência preliminar para decidir sobre a realização do julgamento oral.
