Operativo Mymba Kuéra resgatou quase 39 mil animais no enchimento do reservatório de Itaipu

Durante o enchimento do reservatório de Itaipu, entre outubro de 1982 e janeiro de 1983, o operativo Mymba Kuéra resgatou quase 39 mil animais no Paraguai e no Brasil, em uma ação liderada por Darío Pérez Chena, treinada por técnicos brasileiros e estrangeiros e reconhecida internacionalmente, conforme material da BBC News Mundo escrito por Alejandra Martins.

Operativo Mymba Kuéra resgatou quase 39 mil animais no enchimento do reservatório de Itaipu

O operativo Mymba Kuéra resgatou 27.150 animais no lado paraguaio durante o enchimento do reservatório de Itaipu, entre 13 de outubro de 1982 e 10 de janeiro de 1983. Somando os cerca de 11 mil animais retirados no lado brasileiro, foram quase 39 mil resgates, em uma das maiores operações de salvamento de fauna silvestre da América do Sul.

A operação começou depois da conclusão dos trabalhos principais da usina, quando as comportas do canal que desviava temporariamente o rio Paraná foram fechadas e a área do futuro reservatório começou a ser inundada. O lago ocupa cerca de 1.350 quilômetros quadrados, em uma região do Bosque Atlântico do Alto Paraná estimada em aproximadamente 20 mil espécies de plantas, ao menos 2 mil espécies de animais e 400 espécies de aves.

O projeto paraguaio foi liderado pelo engenheiro agrônomo Darío Pérez Chena, então funcionário da Entidade Binacional Itaipu. O planejamento levou vários anos e incluiu um inventário da área afetada, realizado por botânicos, zoólogos e engenheiros florestais. Em entrevista à BBC News Mundo, em material escrito por Alejandra Martins, Pérez Chena afirmou que o levantamento formou um grande arquivo da fauna paraguaia e ampliou o conhecimento sobre aquela região.

A equipe principal tinha 189 integrantes. Os resgatistas foram escolhidos preferencialmente entre pessoas com até 40 ou 45 anos, capazes de nadar e com boa visão e audição. Técnicos brasileiros e de outros países participaram do treinamento. O grupo de apoio reunia cerca de 150 profissionais, entre médicos, enfermeiros, pilotos de helicóptero, mecânicos e bombeiros.

Em barcos, com comunicação por rádio frequentemente em guarani, os resgatistas retiravam sobretudo animais que não conseguiam nadar, como macacos, tatus, serpentes, tarântulas e aves. O ritmo chegou a superar 600 animais em um único dia. As serpentes representaram 45% do total salvo, e metade delas era venenosa; por isso, cada embarcação levava um kit com soro antiofídico.

Parte dos animais foi transferida para mais de 100 mil hectares de áreas protegidas no mesmo ecossistema. Centenas de serpentes foram enviadas ao Instituto Butantan, em São Paulo, centro de pesquisa biológica e produção de soros e outros medicamentos. Alguns tatus de seis faixas foram levados ao Japão.

Pérez Chena, hoje com 87 anos, vive com a esposa, Lucina. Ele reconheceu à BBC que muitos animais provavelmente morreram, especialmente insetos e espécies que viviam em tocas subterrâneas. O operativo recebeu diversos reconhecimentos internacionais, segundo o engenheiro, e ajudou a inspirar iniciativas posteriores, como o Centro Ambiental Tekotopa, mantido por Itaipu em Hernandarias.

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Fontes (1)

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