Ministro Riera acusa criminólogo de vínculos com crime em debate sobre corrupção policial

Em um debate televisivo, o ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, acusou o criminólogo Juan Martens de ter vínculos com o crime organizado após este relacionar um ataque fatal a um posto policial à corrupção e à atuação de facções criminosas no departamento de Canindeyú.

Ministro Riera acusa criminólogo de vínculos com crime em debate sobre corrupção policial
Ilustração gerada por IA.

O ministro do Interior, Enrique Riera, e o criminólogo Juan Martens travaram um debate acalorado no programa "Políticamente Yncorrecto", da emissora paraguaia Telefuturo, no domingo. A discussão centrou-se na corrupção policial e na influência do crime organizado no departamento de Canindeyú.

Martens, que realizou trabalho de campo na região, afirmou que o ataque ao posto policial de Naranjito, ocorrido em 21 de julho e que deixou dois agentes e um civil mortos, está ligado a organizações criminosas e à corrupção dentro da instituição. Ele descreveu Canindeyú como uma "terra de ninguém" e um local onde policiais vão para "fazer caixa". O criminólogo citou a presença de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho atuando em rotas diferentes na área.

Visivelmente irritado, o ministro Riera reagiu de forma contundente, apontando o dedo para Martens e acusando-o de ter vínculos com o crime organizado por ter acesso a tais informações. "Se te passam informações que você ouve do crime organizado, você está vinculado ao crime organizado, Juan. O acadêmico que fica sabendo de um delito deve denunciar", desafiou Riera.

Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Martens mencionou que chefes policiais e seus subordinados em zonas sensíveis se locomovem em veículos roubados, termo para carros furtados, geralmente no Brasil, que circulam sem documentação. Riera rebateu com uma declaração inesperada: "Em todos os lugares há veículos roubados, não só entre os policiais, porque este é o país dos carros ilegais".

O debate escalou para o campo pessoal quando Riera se referiu a Martens como "o herói do teclado" e questionou seus antecedentes. O criminólogo respondeu desafiando o ministro a apresentar uma denúncia formal no Ministério Público e reiterando seu desejo por uma polícia que não use carros roubados nem cobre propina. O governo atribuiu o ataque em Naranjito ao Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP), um grupo armado de esquerda que atua no norte do país, e Riera já havia sinalizado a intenção de reagrupar as forças de segurança em Canindeyú para melhor proteção dos policiais.

Fontes (1)

Atualizado: 28 de jul. de 2026, 01:29