O presidente Santiago Peña e o presidente da Corte Suprema de Justiça do Paraguai, Alberto Martínez Simón, reuniram-se em Mburuvicha Róga para tratar da crise operacional no Registro Unificado Nacional (RUN). O encontro, de caráter institucional, teve como foco principal a busca de soluções para as falhas no sistema, que enfrenta críticas generalizadas por lentidão na expedição de documentos desde sua implementação em fevereiro.
Participaram da reunião a gerente superior do RUN, Lourdes González, a diretora geral de Tecnologia da Informação e Comunicações da Corte, Rosaliz Chamorro, e o diretor geral de Planejamento e Desenvolvimento, Juan José Martínez. As autoridades discutiram a necessidade de fortalecer a infraestrutura tecnológica e alocar maiores recursos orçamentários para modernizar o sistema registral e catastral do país.
O RUN reconhece publicamente que enfrenta dificuldades operacionais, incluindo o transporte físico diário de processos entre sedes, a separação geográfica entre registradores e verificadores cadastrais e a falta de uma plataforma eletrônica única. Essas limitações exigem investimentos significativos, que serão financiados por recursos previstos na Lei nº 7.424/25, com arrecadação projetada apenas para 2027.
Enquanto o governo enfatiza o compromisso com a segurança jurídica, usuários do sistema relatam um cenário preocupante. O Colegio de Escribanos del Paraguay (CEP) alertou que deficiências técnicas e mudanças constantes nos critérios administrativos estão afetando a segurança dos trâmites imobiliários. Escribanos denunciam a emissão de certificados cadastrais com erros e prazos de correção que chegam a triplicar.
O movimento cidadão Tetãgua Sapucái acrescentou críticas ao afirmar que a implementação do RUN está provocando um "caos jurídico", com casos de georreferenciamento incorreto que criam superposições gráficas inexistentes nos títulos originais. Preocupações também chegaram ao Congresso, onde a Comissão de Povos Indígenas do Senado exigiu a criação de um canal de alerta preventivo para proteger terras indígenas contra vendas ilícitas e dupla titulação.
