O senador Gustavo Leite, do Honor Colorado — movimento do Partido Colorado liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes — estima que o Paraguai poderia recuperar até US$ 400 milhões por ano com cortes em despesas que considera supérfluas. O plano inclui redução da máquina pública, revisão de subsídios e medidas contra a corrupção. A caracterização da mobilização médica como uma greve nacional e as datas de 24 a 28 de agosto de 2026 requerem confirmação adicional.
O plano prevê um programa de “aposentadoria voluntária incentivada” para até 100 mil funcionários, fusão ou fechamento de instituições redundantes e congelamento de novas contratações. Leite afirma que 15.219 cargos foram incorporados apenas no Orçamento Geral da Nação de 2025. De acordo com seu cálculo, a saída de 100 mil servidores equivaleria a 30% da folha, enquanto saúde e educação, além de segurança, Justiça e órgãos de controle, seriam preservadas por exceções.
A proposta não detalha, no material divulgado, como seriam financiados os incentivos nem quais órgãos seriam fundidos ou fechados. Leite sustenta que a reorganização poderia ocorrer sem demissões, com adesão ao programa ou transferência dos servidores para um “banco de funcionários”. A economia estimada de US$ 400 milhões é uma projeção política do senador, não um valor validado pelo Executivo ou por uma auditoria independente.
Entre outras medidas, Leite defende reduzir diárias e publicidade estatal, melhorar a rastreabilidade de subsídios, aprovar uma lei única para projetos de energia e estudar a privatização da geração elétrica. Também cita o turismo de fronteira e a exploração do gás do Chaco como alternativas para ampliar a atividade econômica. O senador mantém a posição de não criar nem aumentar impostos e afirma que o Estado deve concentrar recursos em saúde e educação.
O diagnóstico apresentado por Leite combina o ajuste fiscal com a precariedade do mercado de trabalho. Segundo seus cálculos, 62,4% dos ocupados — mais de 2 milhões de pessoas — recebem menos que o salário mínimo legal de G. 3.044.000. Ele também estima uma falta de 1,45 milhão a 2,18 milhões de empregos formais, com renda suficiente e proteção social, em uma força de trabalho de 3,4 milhões. Esses números são estimativas de Leite e não substituem uma análise oficial sobre o impacto social de cortes no funcionalismo.
Os médicos reivindicam reajustes, estabilidade, insumos, medicamentos e melhores condições de trabalho. Também denunciam que o pagamento por vínculo caiu de cerca de 2,8 salários mínimos em 2012 para 1,5 salário mínimo. A ministra da Saúde, Teresa Barán, declarou encerrada a negociação por falta de recursos. Leite criticou a condução do governo de Santiago Peña e cobrou maior participação do Executivo, citando o chefe de Gabinete, Javier Giménez, entre os ausentes das tratativas — afirmação que requer confirmação adicional.
O senador afirma que o Paraguai “ficou sem dinheiro” e defende punições mais duras para corruptos. A aplicação do plano dependeria de decisões do Executivo, mudanças legais e negociações com servidores e sindicatos. Além disso, aposentadoria voluntária, incentivos, fusões de órgãos e exceções para setores protegidos podem limitar ou atrasar a economia projetada, sobretudo se dois terços do funcionalismo estiverem concentrados em educação e saúde, como afirma Leite.
