Após cinco reuniões sem consenso no Consejo Nacional de Salarios Mínimos (Conasam) desde maio, trabalhadores e empresários seguem distantes na definição do reajuste do salário mínimo legal (SML), que deve entrar em vigor em 1º de julho. A categoria trabalhadora reivindica um aumento de 20%, equivalente a G. 647.021, enquanto o setor empresarial defende a correção pelo Índice de Precios al Consumidor (IPC) do Banco Central del Paraguay (BCP), que aponta inflação de 2,4% — o que elevaria o piso de G. 2.899.048 para G. 2.968.625.
Bernardo Rojas, representante dos trabalhadores, afirmou que espera que o presidente Santiago Peña cumpra a promessa de conceder um reajuste acima da inflação. O mandatário declarou em 4 de junho, diante de empresários, que analisa um montante "razonável" para o aumento, superior à variação do IPC.
A sexta reunião tripartite do Conasam está prevista para esta quarta-feira e deve fechar a recomendação a ser encaminhada ao Poder Executivo. O presidente tem a prerrogativa de acatar ou não o parecer do conselho, por meio de decreto.
O economista Jorge Garicoche, gerente da Unidade de Economia da consultora Mentu, avaliou que não existe fórmula ideal para o ajuste. Ele reconheceu que os trabalhadores têm razão ao apontar a alta nos preços de alimentos nos últimos anos, mesmo com a inflação oficial em patamar baixo, mas ressaltou que indicadores alternativos também apresentariam distorções.
Garicoche chamou atenção para o problema estrutural da informalidade laboral no país: seis em cada dez paraguaios trabalham sem registro formal. O economista alertou que um reajuste muito acima do IPC pode elevar os custos para os empregadores e empurrar trabalhadores do setor formal para a informalidade.
