O ataque ao Puesto Policial N° 4 na colônia Naranjito, distrito de Ybyrarobaná, departamento de Canindeyú, na noite de terça-feira, resultou na execução de dois policiais e um civil, reacendendo o debate sobre segurança e a presença de grupos armados no norte do Paraguai. As vítimas foram identificadas como os suboficiais Atilio Martínez Barrios, de 40 anos, e Herminio Ojeda González, de 32, e o funcionário civil Josemar Escobar Piris, de 38. Os agressores incendiaram o posto policial e veículos antes de fugir.
O ministro do Interior, Enrique Riera, confirmou que as investigações, com base em laudos balísticos, apontam para a participação do Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP). Segundo ele, uma das armas utilizadas foi vinculada a um ataque anterior a uma comissaria em Ybyrarobaná, em maio de 2025. Riera afirmou que o ataque foi uma ação conjunta do EPP com outros grupos criminosos da região, sugerindo uma "nova geração" do grupo formada por familiares de antigos membros.
No entanto, existem divergências dentro do próprio aparato de segurança. Enquanto o governo e o comando policial, liderado por César Silguero, sustentam a autoria do EPP, o comandante do Comando de Operações de Defesa Interna (CODI), general Alberto Gaona, pediu cautela e mantém abertas hipóteses envolvendo narcotráfico, crime organizado ou células camponesas armadas. O criminólogo Juan Martens criticou a mudança de versões oficiais em menos de 24 horas, classificando-a como improvisação que mina a credibilidade do Estado.
Produtores rurais da região manifestaram extrema preocupação. A empresa Agroganadera Pindó S.A. emitiu um comunicado exigindo que o Estado investigue uma possível ligação entre o atentado e as estruturas criminosas que, segundo a empresa, invadem sua propriedade há mais de uma década. Outros pecuaristas relataram assédio constante e a presença de indivíduos armados que se identificam como EPP.
Analistas de segurança ofereceram leituras distintas. Epifanio Barreto defende que o modus operandi, incluindo o roubo de armas e pertences das vítimas, é característico do EPP. Por outro lado, a ex-ministra Cecilia Pérez e a ativista Beatriz Denis, filha do ex-vice-presidente Óscar Denis (sequestrado pelo EPP em 2019), argumentaram que o ataque prova que o grupo não foi debilitado, mas sim se reestruturou e ampliou suas alianças, representando uma falha na estratégia de segurança.
O governo prometeu uma reavaliação da disposição das forças de segurança em Canindeyú, incluindo uma possível reorganização e realocação de efetivos para evitar que policiais fiquem expostos em postos isolados e mal equipados.
