O contrato coletivo em análise na Junta Municipal de Assunção prevê G. 3,541 bilhões mensais em subsídio médico para cerca de 9 mil funcionários, além de gratificações por antiguidade, formação e pontualidade. A discussão ocorre a poucos dias das eleições municipais de 4 de outubro e combina dúvidas sobre o custo dos benefícios com acusações políticas sobre a pressa na tramitação.
A cláusula 78 estabelece um pagamento mensal equivalente a 13,5% do salário mínimo legal, ou G. 398 mil por funcionário. Aplicado a 8.897 pessoas registradas na folha de junho de 2025, o cálculo chega a G. 3.541.006.000 por mês. O valor final depende de quantos trabalhadores serão abrangidos e da execução do acordo.
O contrato também prevê gratificação por antiguidade calculada sobre o salário mínimo: 25% para quem tem de cinco a dez anos de serviço, 35% de 11 a 20 anos, 55% de 21 a 30, 70% de 31 a 39 e 100% a partir de 40 anos. A regra citada se aplica a trabalhadores diaristas e contratados permanentes do Centro Paraguayo Japonés e da Direção da Estação Rodoviária de Assunção que contribuem para o IPS, o Instituto de Previsión Social, entidade paraguaia de seguridade social. Para os grupos contabilizados nesses locais, a estimativa é de G. 215,714 milhões.
Para trabalhadores diaristas, o texto prevê pagamento mensal de G. 1.979.000 a quem comprovar diploma universitário com duração mínima de quatro anos e de G. 1.065.000 a quem tiver formação técnica de ao menos dois anos após o ensino médio. Há também prêmio trimestral de G. 210 mil por pontualidade. Se metade dos funcionários comparecer pontualmente, o desembolso estimado será de cerca de G. 934 milhões por trimestre. O assessor jurídico municipal, Jorge Sabaté, afirmou que os pagamentos dependem de disponibilidade orçamentária e financeira.
Uma reportagem da ABC Color publicada em 28 de setembro estimou em G. 12,608 bilhões o custo combinado de gratificações por antiguidade e títulos na Intendência e na Junta Municipal. Esse cálculo tem escopo diferente do levantamento de G. 215,714 milhões feito para os grupos do Centro Paraguayo Japonés e da estação rodoviária; os valores não devem ser tratados como estimativas equivalentes ou somados sem distinguir beneficiários e rubricas.
O intendente Luis Bello levou o acordo à Junta, e o vereador César Escobar reconheceu que houve intenção de votá-lo diretamente, sem o encaminhamento regular à comissão. A Última Hora relatou que sindicatos convocaram funcionários para pressionar pela aprovação. Já a ABC Color atribuiu à movimentação uma motivação eleitoral, citando denúncias de opositores; essa interpretação não foi corroborada de forma independente. A representante sindical Silvia Araújo disse que a homologação regular pode levar mais de um mês e envolver órgãos trabalhistas, mas que as partes podem cumprir o acordo mesmo sem homologação.
Camilo Pérez, candidato do Partido Colorado (ANR) à prefeitura, criticou a rapidez e chamou o contrato de desrespeitoso com contribuintes e servidores. Em entrevista à ABC TV, prometeu elevar a arrecadação, digitalizar a administração para combater a burocracia e as chamadas “caixas paralelas”, e buscar superávit de US$ 18 milhões. Também disse que pretende eliminar cerca de 3 mil postos por aposentadorias e desligamentos voluntários, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, proposta ainda dependente de articulação e recursos. Pérez afirmou ter apoio do presidente da ANR, Horacio Cartes, e da estrutura do partido; prometeu ainda acabar com as ciclovias e dialogar com comissões de moradores sobre obras de drenagem e desvios de trânsito nos bairros.
