Crise de saúde no Paraguai força famílias a pagar do próprio bolso por tratamentos

A crise no sistema de saúde público e no IPS do Paraguai força famílias a arcar com altos gastos do próprio bolso para medicamentos e tratamentos, levando muitas à ruína financeira.

Crise de saúde no Paraguai força famílias a pagar do próprio bolso por tratamentos
Ilustração gerada por IA.

O sistema de saúde do Paraguai enfrenta uma crise profunda em 2026, com o chamado "gasto de bolsillo" asfixiando financeiramente milhares de famílias que dependem de hospitais públicos e do Instituto de Previsión Social (IPS). Apesar de promessas governamentais de investimento em nova infraestrutura hospitalar, a realidade nas salas de espera é de desabastecimento crónico de medicamentos e insumos básicos, transformando o direito constitucional à saúde em um privilégio inacessível para quem não possui recursos.

Casos dramáticos ilustram a magnitude do problema. Ana Laura Mendoza, paciente com artrite, denunciou a falta de Adalimumab, um medicamento biológico injetável vital para seu tratamento, cujo custo de 29,5 milhões de guaranis é inalcançável para sua realidade. Situações similares repetem-se por todo o país, onde famílias são obrigadas a organizar "polladas solidárias" – eventos comunitários para angariar fundos – ou a contrair dívidas impagáveis para custear desde ressonâncias magnéticas até medicamentos oncológicos.

Estimativas preliminares de associações de pacientes indicam que uma família com um membro portador de doença crónica ou em internamento pode gastar entre 1,5 milhão e 5 milhões de guaranis por mês em medicamentos e insumos não fornecidos pelo sistema público. Valores que disparam para dezenas de milhões quando envolvem fármacos de alto custo. Este desembolso representa uma fatia alarmante do salário mínimo vigente no país, fixado em 3.044.000 guaranis, condenando famílias de baixa renda à ruína financeira perante qualquer imprevisto de saúde.

A crise ganhou repercussão internacional, sendo tema de reportagens de veículos como a BBC, que destacou como a falta de cobertura adequada força cidadãos a vender bens preciosos ou a depender de solidariedade comunitária. A situação, longe de melhorar, agrava-se, mantendo o Paraguai entre os países que menos investem em garantir efetivamente o direito à saúde, conforme apontado pela Associação Latino-Americana de Medicina Social (ALAMES).

Fontes (1)

Atualizado: 27 de jul. de 2026, 01:43