A expansão dos portos privados no Paraguai, impulsionada por investimentos ao longo dos rios Paraguai e Paraná nas últimas duas décadas, depende de obras públicas para evitar gargalos logísticos. Francisco Griñó Guillén, engenheiro e integrante da Câmara Paraguaia da Indústria da Construção (Capaco), defendeu um programa permanente de dragagem e melhores acessos rodoviários às terminais.
Segundo Griñó, entre 80% e 90% das cargas paraguaias de importação e exportação são transportadas pelos rios. Ele descreveu a via fluvial como “a autopista mais importante do Paraguai” e afirmou que o Estado precisa acompanhar a expansão privada com investimentos em canais navegáveis, estradas e caminhos vicinais.
O engenheiro disse que existem atualmente três contratos de dragagem, mas considerou insuficiente trabalhar apenas quando ocorre uma forte estiagem. “É preciso fazer um programa de dragagem e cumpri-lo. Se houver um problema, ele não pode ser resolvido em questão de dias; às vezes leva meses”, afirmou.
A dependência também envolve trechos do rio Paraná sob jurisdição argentina. Para Griñó, é necessário melhorar a coordenação com a Argentina para assegurar a manutenção dessas áreas compartilhadas. Em períodos recentes de seca extrema, a redução do nível dos rios obrigou embarcações a navegar com cerca de 70 centímetros a menos de calado, diminuindo a quantidade de carga transportada em cada viagem.
As restrições afetam diretamente o cumprimento dos prazos de exportação e importação. Quando a navegação perde capacidade, o custo e o tempo do transporte aumentam, pressionando empresas que dependem da hidrovia Paraguai-Paraná para chegar aos mercados externos.
A ligação entre as áreas produtivas e os portos é outro ponto crítico. Como o Paraguai não dispõe de ferrovias, praticamente toda a carga que alimenta as terminais chega por caminhões. A falta de estradas capazes de suportar tráfego pesado durante todo o ano aumenta a pressão sobre a rede rodoviária e pode comprometer o fluxo até mesmo quando os rios estão navegáveis.
Griñó, que entrou na Capaco em 1992 e presidiu a entidade em dois mandatos, de 2002 a 2003 e de 2003 a 2004, será homenageado na Gala da Construção, marcada para 17 de setembro, no salão de convenções do Banco Central do Paraguai.
