As exportações paraguaias cresceram em volume, mas praticamente não aumentaram em guaranis nos 12 meses encerrados em julho de 2026. O país embarcou 4,07 milhões de toneladas a mais, alta de 27%, enquanto a receita passou de G. 81,97 trilhões para G. 81,89 trilhões.
Um estudo preparado para a Câmara Paraguaia de Exportadores (Capex), com dados oficiais do Banco Central do Paraguai (BCP), atribui o resultado principalmente à queda do dólar. O efeito cambial retirou G. 15,45 trilhões da receita, equivalentes a cerca de US$ 2,342 bilhões e a 19% do valor exportado no período.
A análise estima que o aumento do volume teria acrescentado G. 22,38 trilhões à receita. A variação dos preços internacionais, porém, reduziu esse ganho em G. 7,01 trilhões. Sem considerar o câmbio, as exportações teriam gerado G. 97,34 trilhões, 19% acima do período anterior; com a conversão para a moeda local, o total ficou praticamente estável.
O impacto afeta empresas que produzem no Paraguai e pagam a maior parte de seus custos em guaranis, mas recebem principalmente em dólares. Em média, cada dólar exportado valeu G. 1.244 menos que no período anterior, uma queda de 16%. A Capex alerta que a compressão prolongada das margens pode influenciar investimentos, capacidade produtiva, empregos e a conquista de novos mercados.
O efeito aparece em diferentes segmentos. Nos produtos primários, alcançou cerca de US$ 869 milhões, enquanto o volume exportado aumentou 31%. Nas Manufaturas de Origem Agropecuária (MOA), a perda estimada foi de US$ 861 milhões; nas Manufaturas de Origem Industrial (MOI), de aproximadamente US$ 400 milhões.
A soja ilustra a diferença entre desempenho físico e financeiro. Os embarques cresceram 30% e o preço internacional subiu 3,2%, combinação que poderia elevar em 34% a receita em guaranis. O aumento efetivo, contudo, ficou em 10%, após um impacto cambial equivalente a US$ 681 milhões.
Ao mesmo tempo, empresas e investidores vêm ampliando o uso de proteção contra oscilações da moeda. O mercado paraguaio de contratos forward cambiais cresceu 30% até agosto, na comparação anual. Esses contratos permitem fixar antecipadamente o preço de uma moeda para uma data futura, dando mais previsibilidade a exportadores, importadores e companhias com dívidas em dólar.
Em julho, o valor acumulado dos forwards havia chegado a US$ 1,721 bilhão, alta de 22,8% em 12 meses. A expansão indica maior utilização de instrumentos de gestão de risco, especialmente em operações ligadas a bens de capital, combustíveis, insumos industriais e comércio exterior.
Para a Capex, as coberturas ajudam a administrar a volatilidade, mas não eliminam o desafio estrutural de competitividade enfrentado por empresas cujos custos estão em guaranis e receitas em dólar. A entidade defende que as autoridades econômicas considerem esse efeito ao avaliar as condições do setor exportador e a necessidade de ampliar o valor agregado das vendas externas.
