O senador opositor Rafael Filizzola acusou o presidente Santiago Peña e o movimento Honor Colorado, ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, de ignorarem alertas sobre o Ueno Bank e exporem ao mesmo tempo o sistema financeiro, recursos públicos e fundos do Instituto de Previsión Social (IPS), entidade paraguaia de seguridade social que administra o seguro obrigatório e serviços de saúde.
As declarações ocorreram após a Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) pedir atenção do governo e do Banco Central do Paraguai (BCP) para preocupações relacionadas à solvência e à liquidez de uma instituição que, segundo Filizzola, concentra parcela relevante de recursos públicos. O senador classificou a postura das autoridades como “irresponsabilidade criminal” e afirmou que pedidos de informação e alertas anteriores foram ignorados.
Filizzola questionou ainda potenciais conflitos de interesse. Carlos Carvallo, atual presidente do BCP, foi titular da então Financeira Ueno antes de ser nomeado para comandar a autoridade monetária por Peña. O senador também afirmou que Peña manteve participação acionária na Ueno Holding até março de 2025, em uma estrutura que o vinculava comercialmente ao grupo Vázquez SAE, proprietário do Ueno Bank.
Na avaliação do parlamentar, Peña usa o Ueno para fazer “maus negócios” com dinheiro do Estado e dos contribuintes do IPS. Ele afirmou que eventuais perdas seriam pagas por toda a população e poderiam afetar não apenas os recursos públicos, mas também a saúde e a aposentadoria dos trabalhadores vinculados ao instituto.
Filizzola acrescentou à lista de supostas agressões aos interesses nacionais a entrega de energia a preços baixos, sem apresentar, nas declarações reproduzidas, documentos que comprovem irregularidades nessas operações ou perdas atribuíveis ao banco. As acusações são políticas e, isoladamente, não demonstram deterioração financeira do Ueno, uso ilegal de recursos ou risco concreto aos fundos do IPS.
O senador também rejeitou a interpretação de que exista uma ruptura efetiva dentro do Partido Colorado (ANR). Ele relacionou a suposta disputa interna entre Cartes, presidente da ANR, Peña e o vice-presidente Pedro Alliana a pedidos de informação feitos por parlamentares cartistas ao BCP sobre o Ueno, mas afirmou que o grupo continuou respaldando as decisões do governo. A confirmação da situação do banco depende de dados oficiais do BCP, de sua posição patrimonial e de eventuais auditorias ou investigações independentes.
