Gastos obrigatórios consomem 81% dos impostos e Moody's alerta sobre gestão

Gastos obrigatórios consumiram 81% dos impostos no primeiro semestre de 2026, enquanto a Moody's manteve a nota do país mas alertou que atrasos em pagamentos expõem fragilidades na gestão das finanças públicas.

Gastos obrigatórios consomem 81% dos impostos e Moody's alerta sobre gestão
Ilustração gerada por IA.

Os gastos rígidos do Estado paraguaio, que incluem salários do setor público, serviço da dívida e aposentadorias, consumiram 81% das transferências feitas com recursos tributários no primeiro semestre de 2026. De acordo com um informe da Tesorería General do Ministério da Economia e Finanças (MEF), esses gastos obrigatórios totalizaram o equivalente a USD 4,23 bilhões, deixando uma margem estreita para investimentos em obras e outros gastos de capital.

O maior peso veio das remunerações do funcionalismo público, que somaram USD 1,99 bilhões, representando 55% de todos os recursos arrecadados por impostos. O serviço da dívida pública ficou em segundo lugar, com USD 875 milhões, enquanto as transferências para a deficitária Caja Fiscal, que cobre as aposentadorias do setor público, totalizaram USD 784,1 milhões.

O economista Luis Rojas argumenta que conter a expansão desses gastos exigiria aumentar a arrecadação, um desafio estrutural para o país. Ele sugere reduzir privilégios na matriz salarial e combater a corrupção e o clientelismo, embora afirme que isso é complexo sob o atual governo. Paralelamente, o titular da Dirección Nacional de Ingresos Tributarios (DNIT), Óscar Orué, rejeitou aumentar impostos e propôs, em vez disso, eliminar incentivos fiscais, como os das leis de Maquila e Zona Franca, para gerar receita adicional.

Nesse contexto, a agência de classificação de risco Moody's Ratings manteve a nota Baa3 para o Paraguai, com perspectiva estável, mas emitiu um alerta. A empresa destacou que os atrasos no pagamento a fornecedores, reconhecidos no início de 2026 e equivalentes a 2,1% do PIB, expõem debilidades na capacidade do Estado de planejar e administrar suas finanças públicas.

A Moody's avalia que, apesar do sólido desempenho macroeconômico do país, a persistência de atrasos ou um deterioro fiscal que aumente o endividamento poderiam pressionar negativamente a classificação creditícia no futuro. A agência enfatiza que o fortalecimento institucional e uma melhor gestão dos fluxos de caixa são cruciais para evitar uma nova acumulação de dívidas pendentes e consolidar o perfil de investimento do Paraguai.

Fontes (2)

Atualizado: 21 de jul. de 2026, 01:30