O sistema previdenciário paraguaio apresenta profundas disparidades entre suas caixas, segundo o Boletim Estatístico da Previdência Social 2025, divulgado pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social (MTESS). Os números revelam que, no Instituto de Previsão Social (IPS), o benefício médio pago a aposentados e pensionistas equivale a 104,4% do salário médio dos trabalhadores ativos que contribuem para o sistema. Isso significa que, em média, os inativos recebem mais do que os ativos.
A relação já vinha se mantendo próxima desse patamar nos anos anteriores: 101% em 2020, 100,3% em 2021, 100% em 2022 e 102,4% em 2023. O fenômeno contrasta fortemente com outras caixas previdenciárias. Na Caja Bancária, a relação benefício/salário foi de 97,8% em 2024, após ter caído para 66,6% em 2022. Na Caja Fiscal, o indicador ficou em 80,6%; na Cajubi, em 79,5%; na Caja Municipal, 73,9%; e na ANDE, 63,1%.
No extremo oposto, a Caja Ferroviária registrou a menor taxa de reposição: apenas 21,7% em 2024, com um benefício médio de valor muito inferior ao salário médio dos contribuintes ativos. Em 2023, esse índice havia sido ainda menor, de 16,3%, refletindo dificuldades estruturais e a escala reduzida desse regime específico.
Em valores absolutos, a Cajubi continua liderando tanto em salários médios de contribuintes ativos quanto em benefícios pagos. Em 2024, o salário médio dos contribuintes da Cajubi atingiu 29.027.992 guaranis, ante 27.095.496 guaranis em 2023 e 23.339.758 guaranis em 2020 — um aumento acumulado de cerca de 24,4% em quatro anos. Esse valor praticamente dobra o salário médio registrado na caixa da ANDE (13.934.709 guaranis) e supera em mais de seis vezes o do IPS (4.264.630 guaranis).
O benefício médio pago pela Cajubi chegou a 23.066.119 guaranis em 2024, ante 17.814.675 guaranis em 2020. Na Caja Bancária, o benefício médio subiu de 8.127.303 guaranis para 11.227.880 guaranis no mesmo período. Na ANDE, o benefício médio foi de 8.788.684 guaranis em 2024, acima dos 6.532.497 guaranis de 2020.
No agregado de todo o sistema, o salário médio dos contribuintes ativos foi de 4.971.777 guaranis em 2024, enquanto o benefício médio total de aposentados e pensionistas alcançou 5.322.788 guaranis — ou seja, também superior. Esse quadro levanta preocupações sobre a sustentabilidade financeira do sistema previdenciário paraguaio, especialmente diante do envelhecimento populacional, da informalidade laboral e da pressão crescente sobre as caixas públicas.
As diferenças entre as caixas refletem a segmentação histórica do sistema: enquanto setores como o da Itaipu Binacional e o bancário mantêm salários e aposentadorias elevados, outros operam com níveis muito mais baixos, gerando disparidades significativas entre trabalhadores e aposentados conforme o regime ao qual pertencem.