Paraguai tem baixa taxa de amamentação exclusiva, apontam especialistas

Especialistas alertam que apenas 31,3% dos bebês paraguaios com menos de seis meses recebem amamentação exclusiva, uma das taxas mais baixas da região, durante a Semana Mundial da Amamentação, que também destaca os esforços nacionais para reverter o quadro.

Paraguai tem baixa taxa de amamentação exclusiva, apontam especialistas

Apenas três em cada dez bebês paraguaios com menos de seis meses recebem lactação materna exclusiva, uma taxa de 31,3% que coloca o país entre os de mais baixa prevalência na região. Os dados foram destacados por especialistas durante a Semana Mundial da Lactação Materna, celebrada globalmente de 1 a 7 de agosto.

A pediatra e neonatóloga Mirtha Talavera enfatiza que a amamentação vai muito além da nutrição. "Envolve uma interação profunda entre a mãe e seu filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua capacidade de se defender de infecções e em seu desenvolvimento emocional e cognitivo", afirmou. Ela descreveu o leite materno como "um alimento vivo que se adapta às necessidades de cada bebê", tanto em condições de saúde quanto de doença.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a lactação materna exclusiva é recomendada nos primeiros seis meses de vida, devendo ser iniciada na primeira hora após o nascimento. A prática está associada à redução de diarreias, infecções respiratórias, hospitalizações, obesidade futura, diabetes e hipertensão, além de favorecer o desenvolvimento cerebral e a microbiota intestinal.

No entanto, os números no Paraguai mostram um abandono progressivo. Dados da Encuesta de Indicadores Múltiples por Conglomerados (MICS) do Unicef indicam que a taxa de amamentação contínua cai para 48,2% ao completar um ano de vida e despenca para 21% aos dois anos de idade.

Sonia Ávalos, oficial de Saúde e Nutrição do Unicef no Paraguai, alertou que a prevalência da amamentação no país representa um desafio prioritário de saúde pública. As dificuldades para manter a lactação frequentemente aumentam com o retorno da mãe ao trabalho, agravadas pela falta de espaços adequados para extração e conservação do leite e pela persistência de barreiras culturais.

Entre os avanços institucionais recentes, o Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social constituiu em junho de 2024 a Comissão Nacional para a Promoção e Apoio à Lactação Materna, com apoio do Unicef. Mais de 100 salas de lactação foram habilitadas em empresas e instituições públicas e privadas, e a Rede Paraguaia de Bancos de Leite foi fortalecida. De 9 a 14 de agosto, o país celebrará a Semana Nacional da Lactação Materna, com atividades de capacitação para profissionais de saúde.

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Fontes (2)

Atualizado: 3 de ago. de 2026, 01:31