Projetos industriais interessados em se instalar em Villeta enfrentam falta de capacidade elétrica, e a subestação de Buey Rodeo está com demanda muito acima da capacidade, afirmou Raúl Valdez, presidente da Câmara Paraguaia de Processadoras de Oleaginosas e Cereais (CAPPRO). Ele disse que o setor recebe semanalmente consultas de empresas, mas vê empreendimentos parados por limitações da rede.
Valdez lembrou que, cerca de 15 anos atrás, as primeiras indústrias instaladas em áreas como Villeta precisaram construir subestações e redes próprias, diante da falta de infraestrutura pública adequada. Para o dirigente, a geração hidrelétrica, embora mantenha o Paraguai entre os produtores de energia limpa, já não basta por si só para garantir o crescimento industrial.
Valdez disse que o modelo energético atual está perto de esgotar seus limites e defendeu diversificar as fontes de geração. A proposta é tratar geração, transmissão e distribuição como partes integradas do serviço, além de modernizar a gestão e o marco regulatório. “A energia elétrica, antes de ser um gargalo, deve ser o trampolim que impulsione o desenvolvimento”, disse.
O setor também defende atualizar e flexibilizar as tarifas para indústrias de consumo intensivo, cuja demanda varia conforme a estação e os horários de pico. Valdez argumentou que preços ajustados aos perfis operacionais das empresas aumentariam sua competitividade em relação a esquemas rígidos e padronizados.
A CAPPRO participa do Conselho Assessor Empresarial, onde impulsiona a criação de uma mesa específica para discutir energia. Segundo Valdez, a iniciativa busca aproximar os setores público e privado para encontrar soluções de infraestrutura e regulação e planejar a industrialização paraguaia dos próximos 30 anos.
