O deputado Roberto González, do Partido Colorado (ANR), ameaçou propor o julgamento político do presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo Spalding — grafado como “Carlos Cavallo Spalding” em uma das reportagens — caso a autoridade monetária não responda de maneira completa e objetiva aos questionamentos sobre o Ueno Bank e a custódia de recursos públicos.
Durante sua intervenção no plenário, González disse que não quer se tornar “cúmplice” por silêncio diante de uma eventual crise no sistema financeiro. A cobrança envolve um pedido de informações aprovado pelo Senado e manifestações da Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) sobre a segurança de investimentos estatais.
Entre os pontos levantados estão a situação patrimonial e a liquidez do Ueno, o tratamento de operações entre empresas vinculadas e a concentração de depósitos públicos na instituição. O deputado destacou recursos do IPS, entidade paraguaia de seguridade social e saúde pública, além de outros fundos do Estado. Segundo ele, em uma eventual crise, os primeiros expostos seriam os poupadores e o dinheiro público.
González também relacionou a discussão à trajetória de Carvallo Spalding, que presidia o Ueno Bank antes de assumir o comando do BCP. Na avaliação do parlamentar, mudanças legislativas e regulamentares recentes, incluindo alterações em dispositivos sobre conflitos de interesse no serviço público, flexibilizaram exigências de solvência e patrimônio para que bancos captem recursos estatais. Essa interpretação foi apresentada por González como crítica à gestão do governo de Santiago Peña.
O deputado afirmou que a Superintendência de Bancos deve verificar a solvência, a liquidez e as operações entre empresas relacionadas. Caso considere insuficientes as respostas do BCP ao Senado e às instituições do setor, disse que buscará responsabilizar politicamente “quem corresponder”, incluindo o presidente da autoridade monetária.
González sustentou ainda que as dúvidas não surgiram espontaneamente, mas seriam consequência de decisões do governo que, em sua avaliação, favoreceram um banco ligado a ex-sócios comerciais de Peña. Ele desafiou os “neopeñistas” — defensores do governo de Peña — a apresentar uma defesa “minimamente razoável” da atuação do Executivo no controle do sistema financeiro.
A controvérsia reúne, portanto, três frentes: o pedido de esclarecimentos do Senado, a preocupação expressa pela Asoban e a ofensiva política de González contra o governo e o BCP. O parlamentar afirmou que, se a instituição não esclarecer a segurança e o manejo dos recursos públicos, não hesitará em apresentar o pedido de julgamento político.
