ANDE dá prazo à Atome e projeta orçamento de US$ 2,34 bi para 2027

A ANDE estabeleceu 30 de setembro de 2026 como prazo para a Atome definir sua operação em Villeta e apresentou um orçamento de US$ 2,34 bilhões para 2027, que prevê redução de 11% nos recursos globais e destina US$ 956 milhões à compra de energia, majoritariamente de Itaipu.

ANDE dá prazo à Atome e projeta orçamento de US$ 2,34 bi para 2027

A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) estabeleceu o dia 30 de setembro de 2026 como prazo final para que a empresa Atome PLC defina a operação de sua planta em Villeta. O presidente da estatal, engenheiro Miguel Ángel Báez Reyes, informou durante a apresentação do orçamento à Comissão Bicameral que, caso não haja acordo, a companhia deverá depositar uma apólice de garantia bancária estimada em US$ 40 milhões ou ter seu contrato anulado.

O impasse decorre de sucessivas prorrogações no cronograma de obras. O contrato original, firmado em 2022 sob a tarifa nº 21, previa o início das operações em janeiro de 2025 com 60 megawatts (MW). Por meio de três adendas apresentadas entre 2023 e 2024, a data foi adiada para janeiro de 2027 e a potência contratada aumentou para 145 MW. Em agosto de 2026, porém, a Atome solicitou um novo adiamento para 2029. Segundo Báez Reyes, não há construções no terreno, apenas um letreiro, enquanto a ANDE reserva capacidade na hidrelétrica binacional de Itaipu baseada nos compromissos assumidos pela empresa.

A divergência é comercial. A Atome busca migrar da tarifa atual, próxima de US$ 36 por megawatt-hora, para um Contrato de Compra de Energia (PPA) de 15 anos com valor fixo de US$ 30 por MWh nos primeiros dez anos. "Não podemos vender abaixo da nossa tarifa", afirmou o presidente da ANDE, destacando que a instituição tem as condições legais definidas e que qualquer reclamação futura caberia à estatal.

Paralelamente ao conflito com a Atome, a ANDE apresentou seu projeto de orçamento para 2027, totalizando US$ 2,34 bilhões. O documento prevê uma redução de 11% nos recursos globais em relação ao exercício vigente, atribuída principalmente à variação cambial. A compra de energia absorverá US$ 956 milhões (40,9% do total), sendo 95% destinados a Itaipu. As inversões físicas receberão US$ 614 milhões, com queda de 22% frente ao montante disponível até julho de 2026.

Os investimentos priorizam a expansão da transmissão de alta tensão, incluindo o segundo circuito da linha Margem Direita-Villa Hayes (US$ 38 milhões em 2027) e o reforço elétrico do Chaco Central (US$ 76,5 milhões). Também está prevista a modernização da central hidroelétrica Acaray, com US$ 74,5 milhões para deixar a unidade, que completa 60 anos, "como nova". A desaceleração nas obras de infraestrutura ocorre em um contexto de pressão sobre o sistema nacional, frequentemente exposto a apagões durante picos de consumo.

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