ANDE mantém paralisados venda de energia ao Brasil e emissão de títulos

A ANDE mantém paralisados há anos dois projetos estratégicos: a venda de energia da usina Acaray ao Brasil e a emissão de títulos próprios, ambos sem cronograma oficial de conclusão.

ANDE mantém paralisados venda de energia ao Brasil e emissão de títulos

A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) do Paraguai mantém dois projetos estratégicos paralisados há anos: a venda de energia da Usina Hidrelétrica Acaray para o Brasil e a emissão de títulos próprios no mercado de capitais, ambos sem cronograma oficial de conclusão.

A iniciativa de comercializar energia no mercado livre brasileiro foi lançada em maio de 2024, durante a gestão do então presidente da ANDE, engenheiro Félix Sosa. O leilão inicial previa a venda de 100 MW de potência da usina Acaray, com contratos de um a seis anos de duração, sem exigir investimento adicional do lado paraguaio.

No entanto, mais de dois anos depois, o processo ainda aguarda a assinatura final do Poder Executivo paraguaio. Em novembro de 2024, o Brasil publicou uma portaria que ampliou o volume autorizado para 120 MW e flexibilizou a origem da energia, permitindo que viesse de qualquer fonte paraguaia que não seja Itaipu. A definição final da operação passou a depender do Equipo Económico Nacional (EEN).

Até janeiro de 2026, a empresa Infinity Comercializadora de Energía Ltda. mantinha a melhor oferta econômica, de US$ 21,03 por MWh, valor que precisava ser renovado a cada três meses devido à falta de uma resolução oficial. O silêncio sobre o assunto se prolongou por todo o ano de 2025, levantando questionamentos sobre a viabilidade comercial ou a vontade política por trás do acordo.

Paralelamente, a emissão de títulos próprios da ANDE – sem a garantia soberana do Estado – é uma promessa que se arrasta desde março de 2022. A ideia era que a estatal se financiasse no mercado de capitais para custear seu Plano Mestre. No final de 2024, a ANDE já estruturava uma emissão em guarani, tendo contratado a classificadora de risco Solventa e projetado a conclusão para o primeiro trimestre de 2025.

A Lei Orçamentária autorizou formalmente a operação para 2025, mas ela não se concretizou. O projeto orçamentário de 2026 voltou a autorizar o mesmo montante, reconhecendo expressamente que a emissão prevista para o exercício anterior não havia sido realizada. Em janeiro de 2026, a ANDE informou que a auditora Ernst & Young havia concluído a revisão das demonstrações financeiras, um passo considerado crucial para obter a classificação de risco necessária. Em maio do mesmo ano, o então diretor de Planejamento e Estudos, engenheiro Francisco Escudero, confirmou que a gestão continuava em curso, sem uma data definida.

Enquanto aguarda a concretização desses projetos, a ANDE continua recorrendo a mecanismos alternativos, como o leasing operativo, para manter seus investimentos em transmissão e distribuição.

Até o momento, nenhum dos dois projetos possui um cronograma oficial de conclusão. Ambos permanecem sob análise, respectivamente, do Equipo Económico Nacional e da própria ANDE, sem prazos públicos que indiquem quando serão efetivados.

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Fontes (1)

Atualizado: 10 de ago. de 2026, 01:00