Dólar cai a G. 5.950 no Paraguai, pressionando exportadores e investimentos imobiliários

O dólar caiu a G. 5.950 no Paraguai, menor cotação desde 2019, pressionando exportadores e projetos imobiliários, enquanto o BCP atribui o câmbio à oferta e à demanda e avalia medidas para reduzir a volatilidade.

Dólar cai a G. 5.950 no Paraguai, pressionando exportadores e investimentos imobiliários

O dólar fechou nesta quinta-feira (27) a G. 5.950 para venda no mercado à vista e a G. 5.929 no segmento interbancário, o menor nível desde o início de 2019. Em um ano, a moeda americana acumula queda próxima de 20% ante o guarani; desde 2 de janeiro de 2025, a redução chega a 23%, enquanto o índice DXY, que mede o dólar contra outras moedas, recuou 9,7%.

A valorização do guarani é associada ao maior ingresso de capitais, à liquidação de exportações e à fraqueza internacional do dólar. A safra excepcional e a percepção de solidez macroeconômica também reforçam o movimento. Até julho, as exportações totais cresceram 25,2%, as exportações registradas avançaram 20,5% e as manufaturas de origem industrial aumentaram 35%.

O movimento, porém, elevou a pressão de setores produtivos sobre o Banco Central do Paraguai (BCP), autoridade monetária do país. A Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco), a Federação de Micro, Pequenas e Médias Empresas (Fedemipymes) e a Câmara de Indústrias Sustentáveis do Paraguai (Cispy) pedem maior previsibilidade e medidas para reduzir os efeitos da oscilação.

Hugo Pastore, diretor da Capeco, afirmou que produtores rurais enfrentam custos em dólares e despesas locais em guaranis justamente às vésperas do início do plantio de soja. Combustível, transporte, serviços, impostos e operação de máquinas ficam relativamente mais caros quando convertidos para a moeda americana. O impacto tende a ser maior entre pequenos produtores, com menor margem financeira para absorver a volatilidade.

Luis Tavella, presidente da Fedemipymes, estima que os exportadores tenham perdido 25% em um ano na conversão de suas receitas para guaranis. Ele também alertou para o risco de empresas tentarem compensar a perda no mercado externo com aumentos de preços no mercado doméstico, embora não veja, até agora, uma transferência generalizada do câmbio para os produtos de consumo.

No setor imobiliário, Gonzalo Faccas, conselheiro da Câmara Paraguaia de Desenvolvedores Imobiliários (Capadei), disse que a previsibilidade foi prejudicada porque os empreendimentos recebem quase toda a receita em dólares, enquanto cerca de 80% dos custos estão em guaranis. Raúl Constantino, presidente da entidade, explicou que projetos planejados para dois, três ou quatro anos precisam recalcular continuamente seus custos, o que pode adiar novos investimentos.

O BCP sustenta que o câmbio nominal não é uma meta da política monetária e deve ser definido pela oferta e pela demanda. A instituição pode intervir para preservar o funcionamento ordenado do mercado, sem contrariar tendências consideradas compatíveis com os fundamentos econômicos. Até agosto, não havia comprado nem vendido dólares diretamente ao sistema financeiro, mas acumulou US$ 328,4 milhões adquiridos do setor público, reduzindo a oferta potencial de divisas.

O economista e ex-ministro da Fazenda Manuel Ferreira apontou ainda a expansão do carry trade, estratégia que busca ganhos explorando diferenças de juros entre moedas. Enquanto operações em guaranis são negociadas entre 10% e 14%, aplicações em dólares giram em torno de 5%. Para ele, uma alternativa à compra direta de dólares seria aumentar a liquidez e reduzir as taxas de mercado, diminuindo o incentivo à operação.

A pesquisa de Expectativas de Variáveis Econômicas do BCP projetava, em julho, dólar a G. 6.300 no fim de 2026. Em agosto, a estimativa caiu para G. 6.150, abaixo da cotação atual. A inflação anual estava em 1,6% em julho, ante meta de 3,5%, a taxa de política monetária era de 5,50% e as reservas internacionais líquidas somavam US$ 11,6979 bilhões no fim daquele mês.

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Fontes (5)

Atualizado: 29 de ago. de 2026, 01:00