O dólar era vendido nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, por cerca de G. 5.940 nas casas de câmbio do Paraguai, enquanto a cotação de referência do Banco Central do Paraguai (BCP), autoridade monetária do país, estava em torno de G. 5.903. O nível se aproxima dos valores médios registrados no fim de 2018: G. 5.936,25 em novembro e G. 5.927,68 em dezembro.
A diferença entre a cotação de venda no varejo e a referência do BCP era de G. 36,69 por dólar. A queda ocorre em sentido diferente do movimento observado recentemente em parte dos mercados internacionais e reacende a preocupação de exportadores, produtores rurais e indústrias que recebem em dólares, mas têm custos principalmente em guaranis.
O economista Manuel Ferreira classificou o cenário como atípico. “Estamos caminhando na contramão do que acontece no mundo. Em outras economias o dólar sobe e aqui cai”, afirmou. Na avaliação dele, a valorização do guarani reduz a receita, em moeda local, das empresas voltadas ao comércio exterior e pode comprometer sua competitividade.
Uma minuta do Comitê de Política Monetária do BCP mostra que o fortalecimento das moedas regionais não é exclusivo do Paraguai. Desde a reunião anterior do comitê, o peso colombiano havia se valorizado 5,1%, o peso chileno 3,3%, o sol peruano 1,6% e o guarani 0,8%. O real brasileiro, no mesmo intervalo, recuou 1,3% ante o dólar. O documento relaciona o movimento ao enfraquecimento global da moeda americana.
Em uma explicação adicional, Emil Mendoza, presidente da Associação de Casas de Câmbio do Paraguai (ACCPy), atribuiu parte da pressão vendedora ao ingresso incomum de capitais estrangeiros. Ele disse que as casas de câmbio identificaram operações legais, mas pouco frequentes em comparação com o período de 2021 a 2023, envolvendo investidores da Alemanha, da Espanha e do Brasil. Mendoza afirmou que a empresa que dirige recebe esse tipo de recurso desde maio, mas não apresentou uma consolidação oficial de todo o sistema, que inclui 24 casas de câmbio autorizadas, bancos e financeiras.
Para consumidores e empresas que compram no exterior, o guarani valorizado pode reduzir, em moeda local, o custo de assinaturas digitais, eletrônicos, viagens, cursos, publicidade online e serviços contratados fora do país. Também favorece o pagamento de juros e amortizações de dívidas em dólar. O efeito é inverso para exportadores e para famílias que recebem remessas, já que a mesma quantia em dólares passa a render menos guaranis; o turismo internacional no Paraguai também pode ficar mais caro.
O BCP não havia entrado no mercado para conter a valorização do guarani, apesar dos pedidos de setores exportadores. A tendência externa, porém, pode mudar: declarações de Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, sobre a possibilidade de manter juros elevados caso a inflação não avance claramente para a meta de 2% contribuíram para uma recuperação recente do dólar e para a revisão das expectativas dos investidores. Nesse ambiente, analistas recomendam preservar recursos destinados a despesas essenciais e evitar decisões financeiras baseadas em uma única cotação.
