O governo do Paraguai apresentou nesta segunda-feira, 7 de setembro, uma proposta salarial revisada aos médicos da rede pública, com previsão de mudanças no salário-base e criação de um escalafão para o quadro médico da saúde pública. A oferta ainda será analisada pelos sindicatos e sociedades médicas, e uma nova reunião deve ocorrer em até 48 horas.
A negociação reúne representantes de áreas como cirurgia pediátrica, neurocirurgia, terapia pediátrica, anestesiologia, reumatologia e cardiocirurgia. Participaram do encontro a ministra da Saúde Pública e Bem-Estar Social, María Teresa Barán; a ministra do Trabalho, Mónica Recalde; e o ministro da Economia, Óscar Lovera.
O presidente da Sociedade Paraguaia de Cirurgia Pediátrica, Roberto Riveros, afirmou que a nova versão melhorou em relação à proposta inicial e passou a incluir também médicos sem especialização. “Vemos que há abertura”, declarou após mais de duas horas de reunião.
Os médicos reivindicam um aumento universal de G. 3 milhões por cada vínculo de 12 horas. Na primeira oferta, o governo havia previsto G. 500 mil apenas para profissionais especializados, além de uma carreira sanitária com progressão funcional. A nova proposta amplia o alcance do eventual reajuste, mas os valores finais ainda não foram divulgados.
O escalafão em discussão considera, além da antiguidade, o grau de formação acadêmica, a especialização e a complexidade das responsabilidades exercidas nos hospitais. Riveros disse que os representantes precisarão calcular o impacto da proposta antes de apresentar uma resposta conjunta.
A negociação ocorre após médicos apresentarem pedidos de demissão como forma de pressão. Mais de 200 anestesiologistas entregaram pedidos de demissão nesta segunda-feira. Representantes médicos mencionam 631 pedidos no total, enquanto o Ministério da Saúde contabiliza 270 formalizados, uma diferença que ainda não foi esclarecida.
A ministra María Teresa Barán demonstrou preocupação com a possibilidade de que os pedidos de demissão se tornem efetivos após o cumprimento dos prazos administrativos. Antes do próximo encontro com o governo, a proposta será debatida pelas sociedades médicas e em uma assembleia do Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed).
